Estudantes do Marajó terão livros com conteúdo regional
O Liberal - Atualidades   
29-Sep-2008

Os estudantes do Marajó terão livros didáticos produzidos a partir da história local. A experiência parte da Universidade Federal do Pará (UFPA) e sai na frente do Programa Nacional do Livro Didático, no quesito regionalização dos conteúdos trabalhados em sala de aula. A produção dos livros marajoaras faz parte de projeto coordenado pelos professores da UFPA Denise Schaan e Agenor Sarraf. O material está em fase de finalização, ficará pronto em janeiro e será distribuído em fevereiro do ano que vem.

A distribuição abrangerá as escolas municipais de Soure, Salvaterra, Ponta de Pedras, Muaná, Chaves, Anajás, Melgaço, Portel e Curralinho, onde estão os professores que colaboraram com a esquisa. Orientados pelos professores universitários, os docentes do ensino básico levantaram dados sobre patrimônio arquitetônico, histórico e cultural dos municípios. As principais fontes foram a comunidade, os jornais e as fotos antigas.

Agenor Sarraf explica que as fontes bibliográficas também foram utilizadas, mas a preocupação do projeto não foi obter dados incontestes. Se buscou mais coletar o conhecimento que sobrevive oralmente, daí a valorização dos relatos dos habitantes mais velhos. 'Importantes são as memórias dos sujeitos: trouxeram histórias de incentivo à arqueologia; de assombrações e visagens; de benzedeiras e curandeiras', conta.


PATRIMÔNIO

Os relatos permitiram saber da história da construção da orla e da primeira escola, formando um conjunto do patrimônio arquitetônico. Histórias de naufrágios, das festas religiosas, modos de produção econômica, da presença de comunidades quilombolas e migração cearense no Marajó permitiram, por sua vez, um acervo sob o aspecto sócio-econômico e cultural. Depois de selecionadas, as informações foram divididas em dois livros, um destinado ao ensino médio e outro, às turmas de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental. Eles serão ilustrados com figuras produzidas pelos estudantes e por um artista plástico.

Segundo Agenor, houve preocupação também com a linguagem utilizada para que fosse menos acadêmica e mais acessível, além de diversificada, com textos produzidos em forma de prosa, poesia e até no formato de cordel. A utilização em sala de aula será trabalhada na fase final do projeto. A intenção é fazer com que os professores adaptem o material às várias disciplinas.

Sarraf observa que a cultura amazônica e, mais ainda, marajoara, nunca é valorizada no espaço escolar. 'Aprende-se uma base nacional comum e não se tem um ‘link’ com histórias nacionais e locais. Queremos fazer com que o aluno, ao dispor do material, parta do local para o nacional', diz. Para ele, o livro didático atual já começa a incentivar a regionalização, mas predomina mesmo a falta de conhecimento ou a fragilidade das informações disponibilizadas aos estudantes. Na prática, o modelo de aprendizagem despreza as lendas amazônicas, por exemplo, e prioriza a racionalidade de valores ocidentais, explica.

Comentários
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luckedias   |23/10/08
Que maravilha!Parabéns pela iniciativa inteligente.Já estava na hora de nossa realidade local entrar nos livros didáticos.Só espero que nossos educandos do 1º ciclo básico também receba este presente.
Salvador Aguirre   |17/10/08
Gostaria saber pór que o município de Breves não está contemplado nessa relação dos mun. que adirem aos livros didáticos de caráter regional.
Márcio Alex   |01/10/08
Sem dúvida que essa iniciativa é tão importante quanto necessária.Estamos perdendo contato com nossas raízes e costumes marajoaras e esse projeto vem somar aos esforços de poucos que ainda tentam preservar a maravilhosa cultura de nossa terra, bem como a história de nosso povo para as gerações vindouras.
Parabéns.
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