Captura do caranguejo está proibida. Estamos no defeso
O Liberal   
24-Jan-2008

A proteção ao acasalamento do caranguejo no Pará, o chamado 'soatá', tem três períodos anuais quando fica proibida a captura da espécie. Para garantir a reprodução das espécies que existem no Pará, três equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vão fiscalizar as maiores regiões produtoras de caranguejo do Estado.

Segundo Antônio Melo, chefe-substituto da Divisão de Fauna e Pesca do Ibama no Pará, durante os três períodos de defeso, muitos catadores e atravessadores capturam e comercializam o caranguejo de forma criminosa. "Para burlar a fiscalização, eles carregam caranguejos entre verduras, em transportes inadequados como ônibus e carros de passeio", disse.

Antonio Melo informou que o Ibama fez campanha de educação ambiental com a maioria das associações de catadores para a conscientizaçã o das comunidades sobre a proibição de capturar caranguejo durante a época do acasalamento. Em algumas regiões como Bragança, Curuçá, Maracanã e Santarém Novo, a fiscalização do Ibama terá a parceria de grupos de voluntários, que foram treinados para atuar na educação, conservação e monitoramento da reprodução do caranguejo.

Os municípios de Bragança, Viseu, Quatipuru, São Caetano de Odivelas, Maracanã e Soure estão entre as áreas de maior produção de caranguejo do Pará. O Estado produz em torno de oito mil toneladas de massa de caranguejo por ano, segundo o Ibama. Para cada quilo de massa são usados de 25 a 30 caranguejos. Uma parte da produção é vendida para os Estados da Bahia, Ceará e Sergipe. O restante é transformado em massa para a venda em supermercados e feiras de Belém, assim como para a produção de pratos especiais em restaurantes.

O Ibama também reuniu com a Associação dos Feirantes de Belém para que eles colaborem e não comprem caranguejo durante os três períodos do defeso.

Preços

Em 2007, o custo de vida dos paraenses foi o maior do Brasil. Um dos itens que mais contribuiu para esse recorde foi a alimentação. Até o caranguejo teve reajuste expressivo. Uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) do Pará comprovou os aumentos nas feiras e mercados da Grande Belém.

No ano passado, o caranguejo tipo médio teve reajuste de 14,27 % enquanto que a inflação do período ficou em 4,50%.

Segundo o Dieese, em dezembro de 2006, o preço médio do caranguejo médio era de R$ 0,91 a unidade. Em janeiro de 2007, aumentou para R$ 0,96 e continuou em alta até o final do primeiro semestre, quando ficou estável. Mas voltou a subir nos últimos três meses do ano, fechando a R$ 1,10 a unidade.

Nas três primeiras semanas deste mês não houve diminuição no preço do caranguejo. Em média, a unidade está sendo vendida entre R$ 0,80 e R$ 1,25. E, segundo o Dieese, não há perspectiva de queda no preço este mês. Com o período do defeso, a tendência é de falta do produto.

Os períodos do defeso neste ano

1º período de hoje até terça-feira, 29.
2º período de 23 a 27 de fevereiro.
3º defeso de 23 a 27 de março.

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Comentários
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Henry Alex da Cunha   |26/03/09
O que precisamos fazer é trabalhar direto na consciêntização dos pescadores e criar punições mais rigidas para o descumprimento das normas.
Maria Luiza   |29/04/08
Eu não acho justo a caça do caranguejo!.
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