Aleida Guevara, filha do herói, visita o Marajó
Dario Pedrosa   
31-Jan-2009

Na manhã da sexta feira, 30 de janeiro, o Marajó recebeu a comitiva de participantes do Fórum Social Mundial que está ocorrendo em Belém. Foram cerca de 40 pessoas trazidas ao Marajó com o apoio do Governo do Estado garantindo a infra estrutura para o deslocamento da delegação que teve entre seus membros a ilustre participação da médica cubana Aleida Guevara March, 48 anos, primeira dos quatro filhos do guerrilheiro Ernesto Che Guevara e de Aleida March (sua segunda esposa), e pediatra do hospital William Soler da capital cubana. Che Guevara foi morto em 09 de outubro 1967, aos 39 anos, em combate, durante a revolução cubana, com 11 tiros.

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Os membros da comitiva reuniram-se com lideranças comunitárias em Salvaterra e Soure. A intenção do grupo era conhecer um pouco mais sobre a situação das comunidades tradicionais como os quilombolas e dos moradores das ocupações de terra realizadas recentemente na região.

A primeira parada foi na ocupação São Veríssimo, as margens da PA 154, no trecho entre Salvaterra e Caldeirão, foi lá que os visitantes ouviram a líder quilombola Bete Alcântara e Dona Elizabeth, líder da ocupação, que chegou a chorar relatando as pressões que os trabalhadores vem sofrendo na disputa pela terra frente aos proprietários das áreas ocupadas, sem contar com o apoio necessário do poder público e sentindo-se desamparados pela justiça, que, segundo a líder, nada faz para frear a onda de violência que assola estas áreas. Após ouvir os depoimentos Aleida Guevara fez questão de falar e deixar seu recado, ela disse:

“Nos podemos falar dessa realidade, porem isso não é suficiente, pois amanhã parto para Cuba e depois de termos falado, falado nesta manhã, vamos embora, não ficamos aqui, quem ficam são vocês, quem tem que tomar consciência do poder que tem como povo são vocês, isso é importante.

É o gringo que tem a terra, sim, porém vocês não são gringos, são daqui, brasileiros, e também tem direito a terra que não lhes correspondem. Eles vivem cercando  os povos que viveram durante anos nesta ilha, e por que? Porque nos temos permitido. Isso é o pior, vocês tem permitido essa situação. Vocês têm que tomar consciência da força que tem como povo e usá-la, usar essa força para demonstrar que temos o poder em nossas mãos e o direito de exigir respeito a nossas vidas, porém teremos que unirmo-nos, temos que tomar consciência disso.

Todos vamos ajudar, todos vamos falar dessa realidade, porém vocês ficam aqui, vocês tem que resolver essa situação, isso é importante, tomar consciência do poder real que temos como povo. Quando isso acontece ninguém vai pisar em vocês nunca mais, nunca mais…”

Após o pronunciamento de Aleida Guevara, os demais populares que acompanhavam a reunião juntaram-se ao grupo para uma breve caminhada pela ocupação. Os jornalistas aproveitaram para registrar o momento, visitando as casas construídas pelos ocupantes com o auxilio de ONG’s e conversaram com as famílias ali presentes.

Na travessia para Soure eles puderam vislumbrar um dos mais pitorescos cenários da região, a foz do Rio Paracauari e a gente das cidade de Salvaterra e Soure. Quando lá chegaram foram, recepcionados por dançarinos de carimbó do grupo Os Aruãs. Aleida chegou a experimentar uns passos da tradicional dança paraense e degustou algumas iguarias e frutas regionais. Ela usou o microfone ao lado do vice-prefeito Fernando Tobias e mais uma vez deu seu recado ao povo do Marajó, lembrando sempre a necessidade de que o povo seja respeitado, mas que este mesmo povo também precisa tomar consciência do seu poder e unir-se para demonstrar força. Mais uma vez ela foi amplamente aplaudida e recebeu o convite de visitar o prédio da Prefeitura de Soure, hoje administrada pelo Partido dos Trabalhadores, com demais partidos aliados. No entanto, devido a hora e o tempo muito curto tiveram que retornar direto para a balsa, por onde retornariam a Salvaterra. Não deu tempo nem de conhecerem as praias e o artesanato regional, como foi feito o convite pelo vice prefeito.

No retorno a Salvaterra, a comitiva ainda encontrou tempo para visitar a comunidade quilombola de Bacabal, a 11 quilômetros do centro da cidade. Lá eles conheceram o estilo de vida e a organização social destas comunidades tradicionais. Ouviram as lideranças e conheceram um pouco da história dos negros no Marajó.

O retorno a Belém foi tranqüilo, ficando a certeza de que o povo da Ilha de Marajó precisa e merece a solidariedade destas lideranças populares que agora tem a missão de levar a mensagem do povo marajoara para o mundo. Os jornalistas participantes da comitiva foram Camila Caringe da Revista Viração de São Paulo, A repórter Glaya Diaz da Tv Cubana e Gustavo Barreto da Revista Consciência.net, além de vários outros fotógrafos de agencias nacionais de noticias.

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Aleida apreciou as frutas da ilha

Comentários
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Robson Messias  - inesquecivel   |08/03/09
Saudações camaradas..

Realmente muita emoção, pude sentir de perto eu era um dos que faziam parte da comitiva, tive o previlegio de acompanhar a companheira Aleida Guervara. O Padre Nelson, um abraço gente muito boa, valeu. alem de conhecer essa maravilhosa Ilha, que tinha tanta vontadeir ver, não foi como queria, curte um pouco, mas o fato de estar ao lado da Filha do The, rsrs é muito coisa...
EMILIS GUEVARA  - comunicacion   |25/02/09
Gostaria de me comunicar com essa pessoa maravilhosa medica cubana ALEIDA GUEVARA. GOSTARIA DE COMUNICAR POR CARTA E MEIOS ELETRONICOS

ABRACIOS:
ÊMILIS GUEVARA

AVENIDA MARECHAL DEODORO 1173
CEP 78916 000
PRESIDENTE MEDICI RONDONIA BRASIL
Rociclé Mendes Sampaio  - amo Marajó   |07/02/09
esta ilha não e só uma pedaço do paraíso, esta ilha e o paraíso.
com uma visita tão ilustre, espero que as autoridades de Marajó agora valorizem mais esta ilha, olhem mais para o lado Hidróviario.
Acordem!!!
Autoridades Marajóaras vocês tem o paraíso,espero que vocês possam somar com a comunidade.
Lucinaldo Santos   |03/02/09
Essa situação soma com varias outra de nosso nação, mas sem a determinação e a união nada se conseque, não podemos temero mal temos que enfrenta-lo, mas acredito na força da união de gente do bem, se desistimos estaremos negando a nós o direito de uma vida de liberdade, somente combatendo o esses latifundiário exploradore do scrificio humano e que podemos elevar o verdadeiro espirito de um vencedor umgrd. abç.
Edinalva   |01/02/09
Importantíssima a visita dessa delegação à região.
Fico com acerteza de que a justiça divina e dias melhores virão para essa população sofrida.
Que Deus ilumine a todos, confortando e abençoando nossos caminhos. Amém.
Paula Amaral  - Soure   |01/02/09
Esta ilha é mais um pedaçinho do paraíso!
jair pena de souza  - Que o sangue de tche penetre nosso corpo   |01/02/09
muito obrigado marcio luis pelo relato da filha de tche em minha "terra salva".sou participante do forum estou nos debates que considero central pra livrar nosso povo e outros povos vitmas desse capitalismo predatorio onde uns poucos acham que a terra é propriedade eterna de suas familias ou grupos economicos .Acho que temos que elevar a consciencia de nosso povo enquanto passamos aqui na terra e isso da um sentido enorme a nossa vidas. Um abraço jair pena
Paulo Acatauassú   |01/02/09
Ótimo para o Marajó , otimo para o povo daqui . Esperamos que a população, sem violencia, capte as mensagem da médica famosa confio na Elizabeth para manter um clima de respeito e liderança.
Luiz Tito   |01/02/09
É de suma importância a visita de pessoas ilustres ao município e ao Marajó no todo. Pois assim tomam conhecimento in loco das necessidades prementes do povo desta região. Gostaria que a euforia dos ilustres visitantes, quando de suas palavras discursivas, tivesse eco e fossem ouvidas também pelas autoridades políticas, que detêm o poder na região, e assim sensibilizarem-se pelas carências da população.

Ainda, que as autoridades competentes (municipal, estadual, federal) olhassem com mais carinho a questão do meio ambientes e impactos sócios ambientais ocorrentes na orla marítima de Salvaterra, que sofre com a erosão quase irreversível, se as autoridades do município não tomarem medidas urgentes de contenção e proteção das encostas.

Vamos então juntos torcer, para que Salvaterra, Soure e o Marajó no todo, saiam da inércia em que se encontram, e consigam crescer com o desenvolvimento sustentável que é o objetivo maior para que todos sejam beneficiados sem exceção.
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