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Na manhã da sexta feira, 30 de janeiro, o Marajó recebeu a comitiva de participantes do Fórum Social Mundial que está ocorrendo em Belém. Foram cerca de 40 pessoas trazidas ao Marajó com o apoio do Governo do Estado garantindo a infra estrutura para o deslocamento da delegação que teve entre seus membros a ilustre participação da médica cubana Aleida Guevara March, 48 anos, primeira dos quatro filhos do guerrilheiro Ernesto Che Guevara e de Aleida March (sua segunda esposa), e pediatra do hospital William Soler da capital cubana. Che Guevara foi morto em 09 de outubro 1967, aos 39 anos, em combate, durante a revolução cubana, com 11 tiros.
Os membros da comitiva reuniram-se com lideranças comunitárias em Salvaterra e Soure. A intenção do grupo era conhecer um pouco mais sobre a situação das comunidades tradicionais como os quilombolas e dos moradores das ocupações de terra realizadas recentemente na região. A primeira parada foi na ocupação São Veríssimo, as margens da PA 154, no trecho entre Salvaterra e Caldeirão, foi lá que os visitantes ouviram a líder quilombola Bete Alcântara e Dona Elizabeth, líder da ocupação, que chegou a chorar relatando as pressões que os trabalhadores vem sofrendo na disputa pela terra frente aos proprietários das áreas ocupadas, sem contar com o apoio necessário do poder público e sentindo-se desamparados pela justiça, que, segundo a líder, nada faz para frear a onda de violência que assola estas áreas. Após ouvir os depoimentos Aleida Guevara fez questão de falar e deixar seu recado, ela disse: “Nos podemos falar dessa realidade, porem isso não é suficiente, pois amanhã parto para Cuba e depois de termos falado, falado nesta manhã, vamos embora, não ficamos aqui, quem ficam são vocês, quem tem que tomar consciência do poder que tem como povo são vocês, isso é importante. É o gringo que tem a terra, sim, porém vocês não são gringos, são daqui, brasileiros, e também tem direito a terra que não lhes correspondem. Eles vivem cercando os povos que viveram durante anos nesta ilha, e por que? Porque nos temos permitido. Isso é o pior, vocês tem permitido essa situação. Vocês têm que tomar consciência da força que tem como povo e usá-la, usar essa força para demonstrar que temos o poder em nossas mãos e o direito de exigir respeito a nossas vidas, porém teremos que unirmo-nos, temos que tomar consciência disso. Todos vamos ajudar, todos vamos falar dessa realidade, porém vocês ficam aqui, vocês tem que resolver essa situação, isso é importante, tomar consciência do poder real que temos como povo. Quando isso acontece ninguém vai pisar em vocês nunca mais, nunca mais…” Após o pronunciamento de Aleida Guevara, os demais populares que acompanhavam a reunião juntaram-se ao grupo para uma breve caminhada pela ocupação. Os jornalistas aproveitaram para registrar o momento, visitando as casas construídas pelos ocupantes com o auxilio de ONG’s e conversaram com as famílias ali presentes. Na travessia para Soure eles puderam vislumbrar um dos mais pitorescos cenários da região, a foz do Rio Paracauari e a gente das cidade de Salvaterra e Soure. Quando lá chegaram foram, recepcionados por dançarinos de carimbó do grupo Os Aruãs. Aleida chegou a experimentar uns passos da tradicional dança paraense e degustou algumas iguarias e frutas regionais. Ela usou o microfone ao lado do vice-prefeito Fernando Tobias e mais uma vez deu seu recado ao povo do Marajó, lembrando sempre a necessidade de que o povo seja respeitado, mas que este mesmo povo também precisa tomar consciência do seu poder e unir-se para demonstrar força. Mais uma vez ela foi amplamente aplaudida e recebeu o convite de visitar o prédio da Prefeitura de Soure, hoje administrada pelo Partido dos Trabalhadores, com demais partidos aliados. No entanto, devido a hora e o tempo muito curto tiveram que retornar direto para a balsa, por onde retornariam a Salvaterra. Não deu tempo nem de conhecerem as praias e o artesanato regional, como foi feito o convite pelo vice prefeito. No retorno a Salvaterra, a comitiva ainda encontrou tempo para visitar a comunidade quilombola de Bacabal, a 11 quilômetros do centro da cidade. Lá eles conheceram o estilo de vida e a organização social destas comunidades tradicionais. Ouviram as lideranças e conheceram um pouco da história dos negros no Marajó. O retorno a Belém foi tranqüilo, ficando a certeza de que o povo da Ilha de Marajó precisa e merece a solidariedade destas lideranças populares que agora tem a missão de levar a mensagem do povo marajoara para o mundo. Os jornalistas participantes da comitiva foram Camila Caringe da Revista Viração de São Paulo, A repórter Glaya Diaz da Tv Cubana e Gustavo Barreto da Revista Consciência.net, além de vários outros fotógrafos de agencias nacionais de noticias. 

 Aleida apreciou as frutas da ilha
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